A inversão do controle.
Tentamos controlar o incontrolável, e abrindo mão do que controlamos.
Se você faz parte do grupo de super interessados em autoconhecimento (imagino que sim, caso contrário você não estaria aqui), certamente você já se deparou com esse ensinamento que é um dos mais importantes: pare de tentar controlar o que não está no seu controle. Seja através ensinamentos do estoicismo, ou pelo recente e maravilhoso livro Deixa pra Lá, da Mel Robbins, abrir mão do controle é um dos primeiros passos do amadurecimento.
Mas, vocês já me conhecem bem o suficiente para saber que eu adoro pegar reflexões prontas e trazer novos pontos de vista, então vamos lá. Começo com a provocação: será que estamos jogando tudo no mesmo balde, o que não controlamos e o que controlamos, e deixando de lado pro universo resolver?
Vejo nos meus processos, nas minhas caixinhas de perguntas do Instagram e nas minhas rodas de conversa com amigos o quanto é sedutor abrir mão de algo que controlamos mas que dá trabalho. Vamos a alguns exemplos.
É verdade que você não controla 100% da sua saúde, mas você tem muito poder de moldá-la da melhor forma possível com bons hábitos, dormir bem, comer bem, se exercitar, fazer coisas que você gosta, se colocar como prioridade na sua agenda para que o seu autocuidado esteja sempre em dia.
Se você não controla outra pessoa em uma relação importante pra você, saiba que você controla várias coisas relacionadas a ela: o quanto você tem uma comunicação efetiva, se estabelece ou não os seus limites, se protege seus inegociáveis, se se dedica a construir um laço sólido.
Eu mesma não controlo o que você vai achar da reflexão de hoje. Nem do meu trabalho de forma geral. Mas eu controlo a minha dedicação, o quanto enriqueço minhas referências, as formas que estimulo a minha criatividade, e por aí vai. Aliás, esse foi um grande ponto de aprendizado quando decidi abrir as redes sociais e colocar minhas ideias no mundo. Eu não controlo o que vão achar, mas eu controlo a qualidade do que entrego - e aprendi que isso há de bastar.
Não, a gente não controla o chefe, o/a parceiro/a, os amigos, os filhos, às vezes nem o nosso próprio corpo, impulsos ou padrões. Mas todas as nossas atitudes, que impactam diretamente em cada um desses pontos, ah! isso a gente controla sim. E quanto antes tomarmos as rédeas da situação, melhor.
Abrir mão do que de fato controlamos é viver na ilusão de que as circunstâncias são indiferentes às nossas atitudes. Não são.
Precisamos parar com essa obsessão do que não controlamos. Isso está nos distraindo do que mais importa: o que controlamos. Não se vitimize, não entregue sua vida ao acaso e não confunda a maturidade de aceitar o que não controla com a imaturidade de achar que a vida fará a sua parte.
O exercício é sempre se perguntar: dentro do que eu NÃO controlo, o que eu CONTROLO? E tomar as rédeas dessa parte, por menor que ela seja.
Quanto mais fiel você for a essa divisão, mais sua vida vai prosperar em todas as áreas. Não porque você dominou tudo, mas porque dominou a si mesmo. Abrir mão do controle é fundamental, quando fazemos isso do jeito cero. E não, deixar o seu trabalho pra vida fazer não é o jeito certo.
Boa semana pra nós :)
Charis


Que news maravilhosa! Por um lado dá aquela libertação, junatmente com o puxão de orelhas que nos leva a agir. Amei!!